Nos gramados do ‘campinho do Lindoia’ começou a história vencedora de Fernando Luiz Roza, ainda criança, em sua Londrina querida. Carregando a humildade como marca registrada no trato respeitoso e educado para com todos, acompanhava seu pai em jogos amadores da cidade e nunca deixou de sonhar.

“É importante o homem ter sonhos. A vida acontece por etapas. Um passo de cada vez. Mas não podemos deixar de sonhar. Lembro que queria me vestir e ser igual ao meu pai. Com três, quatro anos de idade, já ia atrás dele, levava a chuteira nos dedos, da mesma forma que ele levava. Ele jogou nos amadores por muito tempo. Era meio-campo também. Comecei a jogar assim, no campinho perto de casa, com as crianças da região, acompanhando meu pai”, conta.

O futebol sempre esteve presente em sua vida. Na escola, costumava ser um ótimo aluno em Educação Física. Gostava tanto que até fazia aula com outras turmas nesta disciplina, esquecendo, porém de outras também importantes.

“Estudei no colégio Carlos Almeida, no Lindoia. Foi complicado, deixava de estudar bastante para ficar jogando futebol na quadra. Isso quase me prejudicou certa vez, porque quase reprovei. Era muito difícil, não era muito atento às aulas, ficava distraído, não prestava atenção. Minha vontade era sempre jogar futebol.  Não via a hora de chegar o intervalo para poder jogar futebol com meus amigos. Graças a Deus hoje deu tudo certo e até as aulas que eu não ia tão bem, posso dar orgulho para os professores, como as de inglês, que aprendi com o tempo a falar e sua importância”, declara com seu sorriso tímido peculiar.

Com bastante dificuldades no começo da carreira para treinar, por questões financeiras, o menino Fernando também levou ‘não’ em peneiras. Tanto na Portuguesa Londrinense, como no Londrina, maior time da região onde nasceu, tentou ingressar nas categorias de base, sem sucesso. No entanto, a história mudou através de sua tia.

“Um dia ela chegou em casa e disse que falaria com o patrão dela que era médico para conseguir algo para mim. Ela foi e quando voltou disse que um amigo pediu para ir na escolinha conversar com ele. Tinha 13 anos, fiz o teste, fui treinando, até o dia que me deram a notícia que fui aprovado e comecei a jogar no PSTC. Daí subi de categoria e a partir disso fiquei três anos e meio jogando no Clube. Fiquei lá até 17 anos e aproveitei o máximo que eu pude. Foram coisas maravilhosas que se eu pudesse voltaria a reviver tudo aquilo lá”, revela.

A trajetória de sucesso foi muito rápida para o atleta. Sempre agarrando as oportunidades surgidas em sua vida, temente a Deus e dono de uma autoconfiança importante para a profissão, um detalhe chegou a lhe incomodar, na primeira final importante que disputou.

“Tinha medo de bater pênalti. Teve uma época no Paraná que todo jogo empatado era decidido por pênaltis. Na época eu bati uns quatro ou cinco e errei todos. Fiquei com trauma e não batia mais. No outro ano o treinador falou comigo, conversou bastante e fez eu treinar todos os dias umas vinte cobranças sempre após as atividades. Assim foi, toda vez que saía pênalti no jogo eu batia. E na partida final, bati dois pênaltis que ocorreram durante o jogo e fiz os dois. Ganhamos e levamos o jogo decisivo para os pênaltis. Aí bati de novo. Converti e o time foi campeão. Era a final do Sub-17”, recorda.

A partir disto, Fernando passou a ser Fernandinho, quando contratado pelo Atlético-PR. No Furacão, disputou Brasileiro, Copa Libertadores da América e chegou pela primeira vez na Seleção de Base, posteriormente chamado também para a principal. Aliás, é dele o gol do título do Mundial Sub-20 em 2003, nos Emirados Árabes, diante da Espanha.

Negociado com o Shakhtar Donestk, da Ucrânia, em 2005, tornou-se o brasileiro mais vencedor da história desse clube. Ao todo, oito temporadas e 14 títulos conquistados. Ídolo em Donestk, consolidado na equipe, com quase 300 jogos disputados e mais de 50 gols, o volante em 2013 partiu para um novo desafio: o Manchester City era seu destino.

“Como falo dos sonhos, a disputar da Premier League era um sonho que eu tinha. Assim como jogar uma Copa do Mundo. Então quando recebi a proposta do City, essas situações pesaram para aceitar. Quando cheguei, fui muito bem recebido, me deixaram bem à vontade para fazer meu trabalho, me enturmar com o pessoal, isso ajudou bastante também. E dentro de campo com jogadores excepcionais, os resultados vieram já na primeira temporada”, afirma.

Em sua quinta temporada na Inglaterra, Fernandinho mantém acesa a vontade de seguir crescendo e vencendo. Sua história vencedora ainda requer alguns capítulos a serem preenchidos. O segredo, ele mesmo conta.

“O segredo é você trabalhar, se esforçar, ser disciplinado e ser responsável, isso que tem que fazer. Alimentar o sonho sempre e buscar a realização. Quero ganhar a Copa do Mundo 2018”, finaliza.

Ficha técnica
Fernando Luiz  Roza
Data de nascimento: 04/05/1985
Local: Londrina/PR
Altura: 176cm
Clube atual: Manchester City

Clubes
– PSTC/PR (1999-2002)
– Atlético/PR (2002-2005)
– Shakhtar Donestk/UKR (2005-2013)

Títulos
– League Cup (2013-14 e 2015-16)
– Premier League (2013-14)
– Superclássico das Américas (2014)*
– Campeonato Ucraniano (2005–062007–082009–102010–112011–122012–13)
– Copa da Ucrânia (2007–08, 2010–112011–122012-13)
– Supercopa da Ucrânia (2008, 2010 e 2012)
– UEFA Europe League (2008-09)
– Mundial Sub-20 (2003)*
– Copa Paraná (2003)
– Campeonato Paranaense (2004 e 2005)
– Campeonato Paranaense Sub-17 (2002)

* Seleção Brasileira

Conquistas pessoais
– Top 100 – jogador do ano (2016)

  • Share:

FALE CONOSCO

A Aguante está de portas abertas para recebê-lo.